Foi nessa noite que eu morri. Escura como qualquer noite. Não lembro exatamente como foi, mas sei o que estava esperando. Eu queria parar de chorar logo, e estava ansiosa pra que Romeu chegasse. Mas ele não veio.
Então, acendi um cigarro. Aquele que seria o último. E vi minha breve vida de Julieta sexo (muito), drogas (todas) e rock and roll (nem tanto, mas intenso). E senti, pressenti que Romeu não viria, nunca viria.
E olhando pra fumaça que subia no preto da noite, pensei: "Merda, como Romeu me deixa morrer sozinha?" Claro, a história não é essa.
Apaguei o cigarro com o pé descalço (coisa boba, mas me dá um prazer enorme), esperei mais cinco minutos. "É, ele não veio." E assim, sem nem provar o gosto salgado das últimas lágrimas de Romeu, lágrimas que trariam todo o mar pra dentro do peito, eu fui.
Entreguei meu corpo a alguém. Me livrei das minhas roupas. Era estranho o outro lado. Pedi uma bebida, e um cigarro. "Que maravilha, ainda posso fumar."
Mas o gosto... Qualquer cigarro, qualquer cerveja, não eram os mesmos. O gosto. Tinham perdido o gosto da Terra. Aquele lugar onde a gente sangra quando se machuca e grita quando dói ou sente prazer.
Chorei, chorei como nunca. Nunca mais sentiria o gosto de Romeu, o gozo de Romeu. Sentia que estava só. Terrível e irremediavelmente só.
E no meio daquele desespero mudo e sem sentido, Romeu. "Afinal, o que te aconteceu? Eu te esperei séculos."
E Romeu, nada. Ele dizia nada. Ele estava amplo como nada. E sorria. "Porra, eu não sou de ferro. É um imbecil. Está atrasado. Atrasado pra eternidade e sorrindo... É um absurdo."
Largo e fundo como nada, Romeu me prendeu. Como ele costumava fazer, fundo.
E nessa hora, na noite em que eu morri, eu compreendi, como um insight (alguém adorava quando ouvia essa palavra), que coisa nenhuma nesse universo inteiro tiraria Romeu de mim.
Nem o atraso da morte.
Nem a teimosia da vida.
E estivemos um dentro do outro durante muito, muito tempo ainda...
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2 comentários:
Romeu(Julieta),
que fica e se vai
que fica um dia e some ainda tantos
por vezes volta, por outras, numca mais
Romeu(Julieta)
paraíso inconsciênte
que desperta
e suga
e gira...
e endoidece
e gira...
e moe
e gira e expele.
Romeu(Julieta)
o néctar Divino
doce e amargo
Andréa
Tão significativos, os teus versos, inspiraram-me a esses poucos acima,
inicialmente como resposta mas finalmente como passiva constatação.
Reginaldo (CPFL)
reginaldoleon47@hotmail.com
oi, reginaldo... que bom que vc achou minhas loucuras blogueiras!!! obrigada por fazer parte e pelas palavras!
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